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Uma mãe que carrega dores

O tenente da Rota Ronickson Pimentel dos Santos, de 39 anos, segue internado em estado gravíssimo, no hospital Mário Covas, em Santo André.

tenente irmão da eloá é baleado na cabeça

Ele foi vítima de um atentado planejado, na avenida Goiás na cidade de São Caetano do Sul, em São Paulo, quando estava à paisana. O caso comoveu todo o estado de São Paulo, já que o seu nome, além de carregar a patente da Rota, em 2008, Pimentel perdeu uma irmã, também vítima de um crime cruel.

Até o momento, a justiça decretou a prisão temporária de dois indivíduos, que teriam dado apoio a emboscada. As investigações continuam para saber se o caso tem envolvimento de uma facção criminosa no atentado.

Há dores que nunca terminam, apenas mudam de forma.

 

Ana Cristina Pimentel perdeu uma filha de forma brutal em 2008 jamais volta a ser a mesma. Com o passar dos anos, aprende a conviver com a ausência, mas o medo permanece. Ao ver outro filho ser alvo de uma tentativa de execução, aquele trauma não recomeça do zero: ele desperta. É como se todas as lembranças voltassem de uma vez, mostrando que algumas feridas nunca cicatrizam completamente.

 

irmao de eloá é vitima de atentado contra sua vida

A violência não atinge apenas a vítima.

 

Quando um crime acontece, costuma-se falar sobre quem foi baleado, morto ou sequestrado. Mas existe um círculo de vítimas invisíveis: mães, pais, irmãos e filhos que passam a viver sob o peso da insegurança e da expectativa de uma nova tragédia. Para essa mãe, a violência já tirou uma filha e agora quase levou um filho. É impossível não imaginar o impacto emocional de reviver esse pesadelo.

A força de continuar não significa ausência de sofrimento.

 

Muitas vezes chamamos essas pessoas de fortes. E elas realmente são. Mas essa força não significa que a dor diminuiu; significa apenas que, apesar dela, a vida precisou seguir. Talvez a maior demonstração de coragem dessa mãe seja continuar acreditando, amando e esperando por dias melhores, mesmo depois de tantas provações.

Relembre o caso Eloá:

 

Eloá Pimentel, tinha apenas 15 anos, quando foi vítima de cárcere privado, que marcou a história do estado de São Paulo. O crime aconteceu em outubro de 2008 e durou mais 100 horas. Eloá morreu, após a invasão dos policiais, Lindemberg Fernandes Alves, de 22 anos na época atirou na vítima, que não resistiu aos ferimentos.

 

O ex namorado, foi preso e condenado há 39 anos de prisão, por sequestro e assassinato da adolescente.

Evelyn Ribeiro

Colunista | Evelyn Rodrigues

Existem notícias que informam e existem histórias que nos obrigam a olhar para além das manchetes. O caso do tenente Pimentel não fala apenas sobre um ataque. Ela nos lembra que a violência deixa marcas que atravessam anos e gerações. Para uma mãe que já enfrentou o luto de uma filha e agora vê um filho lutar pela vida, o tempo não apagou a dor, apenas a ensinou a conviver com ela. Nenhuma família deveria precisar aprender essa lição duas vezes.

 

A oração pela vida de uma mãe que carrega uma história como essa, é apenas uma parte do apoio que a sociedade pode se solidarizar.

Como está escrito no livro de Romanos, capítulo 12 e verso 15: “Chorai com os que choram”.

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