Um legado de Pai para Filho
Em primeiro lugar, gostaria de agradecer a todos os amigos e seguidores que incentivaram o início e a continuidade crescente da Radar News Ribeirão. Pois, sem os incentivos, nosso portal e nossas multiplataformas digitais não existiriam.
Como colunista deste portal, tenho a necessidade de expressar que meu trabalho, hoje, é apenas a continuação de um legado histórico, passado de pai para filho.
Ao longo de matérias e reportagens divulgadas, muitos seguidores perguntaram sobre minha relação com o saudoso radialista Felício Papa (falecido em junho de 2003). Pois bem, fica aqui a afirmativa de que, com muito orgulho, sou filho do repórter e radialista Felício Papa.
Como figura pública conhecida, Felício Papa era um repórter de campo, muito famoso na época de ouro do rádio em Ribeirão Preto, cobrindo vários jogos de futebol, com maior foco no maior clássico entre as décadas de 70 e 90, o famoso Come-Fogo, o clássico dos times da cidade de Ribeirão Preto, Botafogo e Comercial.
Eu, Matheus Papa, sou nascido na década de 80 e, logo na década de 90, tive o prazer e a oportunidade de vivenciar parte dessa época de ouro do rádio. No meio esportivo, junto com meu pai, tive o prazer de conhecer ícones da comunicação da época, assim como Cézar Bruno, Indalécio Carvalho, Rochinha, Ricardo Tardelli, Dácio Campos, Galvão Bueno, entre outros nomes do setor esportivo, assim como grandes nomes do futebol brasileiro, como Marcelinho Carioca, Romário, Raí, Telê Santana, Sócrates e quase todo o time campeão mundial de 93 do São Paulo Futebol Clube.









Mas foi nos fins da década de 90 que o jornalismo passou a ter mais presença em minha vida. Meu pai passou a integrar uma forte equipe de reportagem factual (na época conhecida como reportagem policial), grupo esse com nomes como Claudete Orieme, Magrini, Morandini, André Rei, Luiz Fernando Lufe e, posteriormente, Luis Cláudio Alba, Lincoln Fernandes e novos nomes que vieram marcar as notícias da cidade. Época essa em que, já como adolescente, acompanhava meu saudoso pai por toda a cidade de Ribeirão Preto, desde o antigo Segundo Distrito Policial que ficava nos Campos Elíseos, na Praça Santo Antônio, Terceiro Distrito Policial na Vila Tibério, Primeiro Distrito Policial no centro (onde hoje é a CPJ), até mesmo em ocorrências de homicídio, entre outros.
Viatura antiga do GARRA de Ribeirão Preto
O meio policial, na década de 90, foi muito conturbado na cidade de Ribeirão Preto, pois havia uma certa “guerra” declarada entre todos os criminosos da cidade, o que fazia acontecer mais de 370 homicídios em um ano, sem contar as inseguranças de quando as pessoas se deslocavam entre os bairros da cidade.
Duas ocorrências marcaram história em minha vida, pois, na época, apesar de não trabalhar efetivamente, eu era nada mais do que o ajudante em tempo integral de meu pai.
Uma das ocorrências se deu na Avenida Paschoal Innechi, em frente à CPFL: um veículo Gol GTI, cor azul, seguia em sentido centro, quando uma motocicleta pareou ao seu lado e desferiu vários tiros. O motorista do carro tentou sacar uma arma, mas, antes de mirar, foi atingido na cabeça, disparando a arma no teto do próprio veículo, perdendo o controle da direção, atravessando o canteiro central e se chocando com o portão da CPFL. Lembro que, no momento que chegamos na ocorrência, meu pai ficou próximo à viatura da Rádio 79 em que ele trabalhava, conversando com algumas autoridades, enquanto eu fui direto à cena do crime para ver detalhes, anotar e passar para meu pai. Sem medo, sem nojo, coloquei minha cabeça dentro do veículo vendo os detalhes da ocorrência, até o momento que a Polícia Científica chegou ao local e eu tive a visão de perto das autoridades manuseando o corpo do indivíduo; ao removerem do veículo, uma “cachoeira de sangue” escorria ao chão.
Em outra ocorrência marcante, já no ano 2000, um grupo de 10 homens invadiram a CEF, Caixa Economica Federal de Ribeirão Preto e cometeram o assalto de 1 Milhão de reais:
Em fuga da polícia entraram na Mata Santa Tereza, e as autoridades cercaram toda a mata; aquela situação se manteve por dias ininterruptos, com cães farejadores, equipes táticas e tudo que a polícia tinha de recursos na época para a “caçada” e captura dos criminosos. Foram dias e noites junto com meu pai na mesa da cozinha de casa, com dois HTs (rádios amadores) ligados nas frequências 1 e 2 da polícia para monitorar os desenrolares da situação.
Imagem de viaturas da polícia e de reprtagens em torno da mata Santa Tereza
Assim nasceu o jornalista Matheus Papa, pois havia em mim um orgulho enorme de meu pai, e a carreira dele era algo que mais me inspirava e que eu achava lindo, pois tinha o respeito de todos e a dignidade de andar junto com a lei.
Arquivo Pessoal: Luciana de Oliveira entrevistando Wanderley Cardoso
Pouco tempo depois, próximo de sua aposentadoria, meu pai recebeu algumas ofertas para ser dono de seu próprio programa musical em rádios comunitárias (as antigas rádios piratas). Junto com ele, minha mãe, que também já havia trabalhado em rádio, mas sempre no meio musical, conhecida como Luciana de Oliveira, “A Inhasinha de todos vocês” — pois, antes de meu nascimento, meu pai e minha mãe tiveram um programa de rádio chamado “Alma Sertaneja”, posteriormente minha mãe trabalhou por anos como discotecária na Rádio 79, assim também tendo o conhecimento do meio de radiodifusão, foi convidada.
Foi onde tanto meu pai, como minha também saudosa mãe (falecida em janeiro de 2026), viram uma grande dificuldade de conhecimento pela primeira vez nesse meio, o setor técnico, pois as rádios comunitárias seguiam os padrões das FMs, onde o locutor era o próprio técnico de som. Na época, com a evolução da tecnologia, não eram mais usados os antigos LPs (disco vinil) e fitas cassete; foi o auge do CD, e havia sido introduzido no meio técnico uma mídia chamada MD, que se assemelhava a um disquete, com praticidade de um CD, mas com capacidade superior, sem contar que, anos depois, tudo isso foi substituído por pastas em computadores.
E eu, como um adolescente, já tinha conhecimento técnico; dessa forma, tanto meu pai como minha mãe tiveram que ceder espaço para que eu fosse o técnico de som de seus programas, situação essa que, posteriormente, dentro dessas rádios comunitárias, me trouxe grande conhecimento e, por fim, tive meus primeiros programas individuais.
Arquivo pessoal: foto de Matheus Papa ainda bebê dentro de estúdio de rádio profissional
Arquivo pessoal: Matheus Papaem estande de tiro pelo TG 02-031 – Exército Brasileiro
No ano de 2003, eu servia o Exército Brasileiro como atirador do Tiro de Guerra de Ribeirão Preto; meu pai já era aposentado e minha mãe era cobradora de ônibus. Meu pai, mesmo aposentado, mantinha um programa de rádio comunitária a todo vapor com grande audiência, mesma rádio que eu, junto com um amigo de infância, apresentava um programa na madrugada.
No mesmo ano, quando integrei o Tiro de Guerra, lembro das palavras de meu pai, que me disse que só teriam dois eventos canônicos do Exército que ele assistiria: um seria o dia dos pais e o outro seria a formação e juramento da Bandeira.
Em junho de 2003, antes do dia dos pais e, obviamente, antes de minha formação, meu pai veio a falecer dentro do hospital Santa Casa de Misericórdia.
Muitos anos se passaram, e as memórias sempre foram recentes. Ao longo de minha jornada, tentei por diversas vezes me integrar a grupos de comunicação para manter o legado de meu pai; todas as tentativas foram negadas e assim fui abandonando o sonho do legado. Cresci, me formei homem, tive tropeços e conquistas em minha vida, me casei, tive filhos e formei uma família.
Quando surgiram as primeiras ondas de YouTubers e de páginas de Facebook, eu já era casado e tentei por algumas vezes entrar nessa onda, situação inclusive que na época gerou várias brigas com minha esposa, pois o pensamento dela é que isso era modinha e que não tinha futuro. Décadas depois, vemos no que tudo se tornou, e os canais de YouTube e influenciadores de redes sociais se preocupam apenas em produzir dancinhas e trends do momento, em busca da fama e do dinheiro.
Já no ano de 2025, no mês de outubro para novembro, recebi uma facada do destino e tive a notícia médica sobre a minha mãe — que sempre foi uma pessoa forte, que amava e cuidava de seus netos — de que um câncer terminal havia acometido a sua saúde.





Arrasado com o diagnóstico, e com toda a situação em que ela se encontrava, trouxe a mesma para minha casa, onde vivemos bons momentos (dentro das possibilidades de saúde), passamos um bom Natal e Ano Novo em família, mesmo eu sabendo que esse seria o último com minha mãe. Em janeiro de 2026, ela teve grande piora em seu estado de saúde, foi internada no Hospital das Clínicas (Campus), onde resistiu por apenas três dias, vindo a falecer
Em seu velório, uma tia minha (nininha), irmã de meu pai, bem velhinha, foi me dar as condolências e, dentro da cantina do velório, me pegou no braço e me disse bem baixinho: “Você é a cara e a voz do seu pai; por que não procura emprego em rádio ou tenta seguir a carreira dele? Seus pais ficariam orgulhosos”.







Após ver que toda a minha história comprovada das lembranças das épocas de ouro no meio de comunicação estava indo embora, e as palavras de minha tia ecoavam em minha mente, já tendo meu DRT de jornalista desde o meio do ano de 2025, tive o que podemos chamar de uma “epifania” e, na cara e coragem, abandonei quase toda minha vida, exceto minha família, e fui para a rua com apenas meu carro e meu celular; e assim comecei a Radar News Ribeirão, nas plataformas do Facebook e Instagram, dias depois YouTube, e meses depois TikTok.
Após o início, busquei por profissionalização técnica, assim como equipamentos profissionais para gravação, microfones, tripés, credenciais e um grande networking no meio factual, e hoje estou aqui escrevendo minha primeira coluna para o portal de notícias que mais cresce na cidade, Radar News Ribeirão.
Observações: Toda essa coluna é dedicada em memória de meus heróis: meu saudoso pai, Felício Papa, e minha saudosa mãe, Maria Aparecida Luciano de Oliveira, conhecida como Luciana de Oliveira, a “Inhasinha de todos vocês”.
Nossas postagens, assim como notícias, não são abertas a comentários, mas convidamos a todos que tiverem a vontade de participar: podem entrar em nossas redes do Facebook, Instagram, TikTok, YouTube e Threads para gerarem debates saudáveis.”
- junho 5, 2026
- Matheus Papa
- 2:55 pm
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